Da proeminência a decadência


                A busca pela proeminência social, nem sempre foi algo socialmente difundido. Em um momento passado, ser protagonista social não era buscado por todos. Muitos se contentavam em ser apenas parte da sociedade, não tinham interesse de ter destaque social, de serem reconhecidos pela sua singularidade de opinião e representação.
                Qual o problema disto? É uma utopia achar que todos terão protagonismo social. Para que alguma pessoa se destaque, outras precisam estar no obscurantismo. Não existe espaço para aproximadamente 7 bilhões de pessoas serem protagonistas, nem nunca vai existir. Entretanto, nesta busca incessante pelas pessoas serem vistas, reconhecidas, surge as coisas mais bizarras. Dentre elas, o terraplanismo, a negação das vacinas e tantas outras fantasia absurdas, que tentam criar uma realidade alternativa baseada na imaginação e crenças em teorias da conspiração.
                Estas teorias loucas, trazem para o protagonismo pessoas até então insignificantes, que não se sobressaiam na multidão. Ninguém as escutava, via ou queria saber o que pensava. Agora, pela primeira vez, tem a oportunidade de serem vistas, escutadas e ganhar alguma atenção social. Neste ímpeto, criam teorias, falam para públicos cada vez maiores e constroem aglomerações coletivas próxima a seitas.
                Ser visto é o que mais importa, não é o discurso, a lógica e nem mesmo a realidade. As pessoas querem pertencer a grupos, e querem que seu grupo seja escutado. Se colocam contra outros grupos, tem reações raivosas a tudo que as contraria. Este é o tom da sociedade que vivemos. Todos são “sabichões” e tem teorias sobre o mundo, sem nem mesmo terem estudado absolutamente nada. Sua motivação não é somente a ignorância, é o desejo profundo de ganharem fama, nem que seja por alguns minutos.
                A desgraça desta postura irracional é que, além dela dominar o espaço político, ela é completamente incompatível com todas as formas de democracia possíveis. Não existe democracia sem diálogo, e não existe diálogo em um conflito de protagonismos. Não existe capacidade de discussão em um espaço que todos querem ser protagonistas. E com isto, o pouco de civilidade que a humanidade construiu ao longo de sua trajetória vai pelo esgoto, se tornando apenas uma lembrança do que foi no passado. O pouco de bom que conseguimos construir é devorado pelo narcisismo socialmente difundido de todos quererem ter o seu momento de influenciador.
                Com isto a compaixão se vai, a capacidade empática de se colocar no lugar do outro também se vai... como vou me colocar no lugar do outro se eu sou melhor, sou protagonista? O outro que se esforce para ser como sou... Estes são os discursos mais comuns que se vê dito por “pessoas de sucesso”, que se tornaram protagonistas e levam o discurso que ser diferenciado na sociedade pode ser para todos. Digo, não é, nunca vai ser e lutar para que seja está destruindo o pouco de civilidade que a humanidade construiu.

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